new Address

danceeeMusic playing from the day I was born
Filtered lights presenting me on stage
I’ve danced with you, tied and torn
Realising this dance would lead me out of my cage

Our dancing grew closer with the passing of years
I enjoyed the routine, the audience, the spotlight
I leaned on you as often as my travelling fears
I relied on common thoughts and avoided my plight

The comfort of your arms and the company of everyday strangers
Seemed to emanate from tunes that conduced my movements
But the beating of My life was trapped under each pore
The music kept going but my absence eventually sore

I begin to slowly remove the clutter of sounds
Like a wave in the sea leaving shore for its deep
My heart beats stronger and makes room in new ground
The sole purpose of my truth which you gave me to keep

It is not that I feel you no more
Nor that I wish to cast a whole in the past
I need to feel you closer than before
In a true dance where our hearts are one

Time has given space for my solo dance
My time to play my side of the chess
My space to connect, my fighting chance
My time to discover Your new address

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Mar

onda_ericeiraEscolhi sair, decidi mudar
Ainda que a mudança se impusesse, fria e bruta, sem pedir licença

Sem pensar, esbarrei na enorme
Onda da nova vida.

Custou-me apanhá-la: as profundezas deste mar eram desconhecidas, o horizonte indistinguível, escondido atrás de um nevoeiro voraz e faminto.

Consegui, ainda que toscamente, tentativamente
Com sede de mais confiança e águas calmas
Renascer de dentro da onda forte e determinada.

Mais ondas vieram, inesperadas, carregadas de frescura de novas paragens
E sal que saboreia a vida

E não deixo de pensar que onde vejo uma montanha, a onda me vê como um pormenor
E o pormenor que sou nesse dia, faz da onda algo meu
Dá um sentido à sua existência
Porque é nela que viajo na busca de terra firme.

Vida outra vez

O tempo passa, e passam também os tempos de outra vida. Passa a vida por mim, e dou-me conta de que o tempo é um milagre único e personificado nos passos que dou.

O tempo casa a nossa vida com a realidade. Dentro das capas postiças, das lutas incompreendidas, a perpetuidade do tempo deixa-nos uma descoberta do que de passageiro acontece em nós, mas que nos muda.

Há o tempo do deserto, do cansaço. Tempo de gritos abafados e desencontros vulgares, tempo de lágrimas sem consolo e cestos sem pão. Tempo de velas vazias de cera, pavios secos e inférteis, luzes escondidas e sombras apagadas pela escuridão total.

Há tempo para duvidar, perguntar, rever. Tempo de me sentir fora da pele, fora do que fui, sentido mais do que nunca quem sou.

E há o tempo para reconhecer o que o passado faz renascer em mim.