Northern Lights

Aurora borealis, Northern Norway
Aurora borealis, Northern Norway

Lights brightening the faces of unintended darkness
Life shining in the numb alleys and silent snow
Never has black and white coexisted in such stillness
Never have I felt a world of peace in a cold glow

There is one hour left for me in this train
Some time I willfully stole from life’s adventure queen
I want to grab hold of the feelings that drain
I want to laugh and cry and shout and scream

As if I could be the moving vehicle of others’ baggage
As if I could redeem the pain and transcend the sorrow
Yet I find I am but a soul in this long lineage
Searching for the next soul to borrow

Never had I imagined that in silence and freeze
A fire would still burn and grow in front of my eyes
A white carpet would welcome my breeze
A dark moon would strip my disguise

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território

É aqui, do alto do cume erguido sobre mim

deserto do Namibe
deserto do Namibe

Que finalmente vislumbro, distante e recolhida,
Ausente por tempo indiscreto e demasiado

A toca sagrada
O recanto de mundo preparado e expectante

Até que percebi
Esbarrei, e vi como se os olhos abrissem pela primeira vez
Que tinha meu nome sulcado
Nas paredes de pedra

Firme, fresca, e com espaço para TUDO.

“Where there is sorrow, there is holy ground”.
Oscar Wilde

que dia é hoje?

ImageTrês dias passam na aventura de um horizonte desconhecido

Três dias apenas: não mais, porque a reboque deles
vem o tempo guardado em silêncio

Três retalhos de vida que demoram tanto quanto o futuro que virá

Três tatuagens no esqueleto desengonçado de quem reaprende
a andar

No primeiro dia, nasce a pedra. Achamos que é preciso sustento porque a vida
é demasiado grande para nos sentirmos confortáveis com a liberdade.
A pedra tem asas de borboleta, escondidas atrás da sombra incandescente de sol
Sabemos disso, mas desviamos o olhar… pelo menos neste primeiro dia em que o terramoto interior não concebe mais decisões

Ergue-se o segundo dia: a segunda amostra do tempo. E com ela, a maravilha constante daquilo que cresce em tão pouco espaço. A perplexidade eufórica causada pelas possibilidades oferecidas, baralhadas, entornadas, povoadas onde nunca pensámos haver terreno. E depois este segundo dia já não chega
Não nos enche, queremos mais, há tanto mais à nossa espera!

E o terceiro liberta as amarras e destrói as pedras. Escava mais fundo, sobe até ao cume, não espera nem faz esperar. Não se consome nem consome o outro.

Acalma, apenas, na certeza da liberdade que agora começa.

Cara: aceitação

Quando renasce a vida em nós, abrimos o coração ao mundo, porque a vida em si (re)quer reflexo, exteriorização, dádiva.

O que entra, muitas vezes, encontra barreiras. Escarpas para escalar, gaiolas por abrir ou mesmo portões antigos e ferrugentos. Ainda assim, há algo que entra, que faz caminho e deixa uma marca. A entrada transforma-se em estadia, a barreira em conhecimento, o acolher em aceitação.

Aceitar é um passo difícil. Aceitarmos os outros envolve calma e tempo, tolerância e coragem para saber que mais do que gostar da companhia, escolhemos a pessoa pelo que é ou pode vir a ser. Aceitarmo-nos a nós pede ainda mais tempo, e às vezes é o mais desafio que podemos encontrar. É mais do que condescender, dar uma “palmada nas costas”: exige olhar com verdade e estar preparado para o que se pode ver, sem perder quem somos.

Aceitar de coração é um estádio maduro do amor. E penso que pode trazer um grande presente (confirmarei quando souber aceitar): a paz.

Livro dos dias XI

Château de Chillon - Montreux - Suíça

Hoje foi o primeiro dia de sol em Barcelona, depois de 15 dias a chover ininterruptamente.

Não pude evitar pensar, ainda que de maneira um pouco egocêntrica, que a cidade me deu as boas-vindas de volta, que estas ruas também têm um espaço para me acolher, como eu a elas. Ontem, ao chegar à noite a minha casa, depois de um verdadeiro descanso em família na bonita zona de Lausanne (Suíça), trouxe-me imensa alegria perceber que em certa medida já me faz falta a minha casa e o reboliço de Barcelona.

Nos dias de visita de família ao P. e à sua vida em Erasmus, senti-me numa bolha de tranquilidade no meio da azáfama infindável que tem sido este semestre. Fui invadida por um espaço com uma respiração profunda, uma calma que só a natureza traz; um ritmo de vida eficaz, com todas as tecnologias e conforto, mas com uma paz intrínseca que parece não abalar por nada. Que vontade tive de ficar mais tempo!

Nisto, fiquei a pensar no quanto o que nos rodeia pode influir no estado de espírito interior. Ou, ainda, no quanto o nosso mundo interior pode afectar a experiência que temos dos espaços em que nos encontramos.

Na verdade, estes dias foram um bálsamo de encanto natural. Ao ver as vidas que correm ao ritmo da harmonia, penso na minha e no quanto me falta percorrer para lá chegar. Como um rio que ainda corre sem destino e com a força que o impulso da nascente lhe dá, a minha vida ainda se encontra à procura de margens seguras. Por isso, as janelas e portas que se abrem por ver outros mundos são pequenos espelhos de quem sou e quero descobrir.