amparo

Que te encostes, sem medo da parede que te sustem. Porque mais seguro é o norte da tua bússola, do que o cimento das estradas ou casas que edificas.

Que descanses, esquecendo a procura de solução ou como seguirá a ordem. A solução evolui com a perspectiva; a ordem é caos escondido em rotina.

Que te demores, deixando as agulhas do tempo passar pelo tapete. O grande é pó organizado, e tu és pequeno para poder crescer, mais e mais. Demora tudo, até não sobrar demora no fundo do tacho.

Enquanto te deitas, absorve o céu. Desliga o interruptor e espalha o piscar de olhos nos dias que ainda não percebes.

Depois, podes respirar.

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Pausa (pre)vista

Dei voltas dentro de uma cápsula do tempo. Pronta para descolar, perdi a noção da época da vida, das definições, do chão de agora.

Não esperei nem fiz esperar. Parti, apenas. Ninguém soube da partida, ninguém programara a chegada. Nem eu, que me sabia indefinida e adormecida para os sentidos.

Dei a volta ao mundo. Ao meu mundo. Desencostei os móveis saturados, revirei os tapetes empoeirados. Tirei do estendal as roupas pregadas, porque compunham a paisagem da zona cinzenta da vida. Deixei apenas as que relembram o quanto se cresceu, o quanto elas já não servem.

Vim parar ao outro lado. Sem saber, ao sabor de cada momento, fui andando sem grande rumo ou segurança. Trancada a medos e fugida do escuro, espera-me a claridade que ainda não deixei totalmente entrar.

Mas a luz existe, e os contornos já são reais. Preciso só de uma pausa antes de recomeçar.