Cross Reference and Categorise; ! ?

london_2012_olympics

There are no excuses for time.

Time ends my sentences, finishes my coffees
Files my incidents and ignites my desires.

Time curbs my perceptions, takes my thoughts into flight
Time is the coast guard if a storm steers my plight.

Time is the merciful stranger,
The verses of an orchestra
The gracious coach challenging me for a rematch.

There are no excuses.
There’s always Time.

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NOW

calmaIt was a vast ocean of unknowns
Parallel equations to solve within a heartbeat
It was an ocean that inside of me had grown
There were millions of species for me to greet

The ocean found its way in
I thought I had stepped onto it, chosen it: I was wrong
The ocean drops infamously and drowns my every dream
The ocean scratched the lie out of where I think I belong

There is a clever tie in the waving of the water
So clever, that I can just jump and feel its edge
But do I dare swim under the seams of my dreams
Do I fall back and deny my former pledge

This is no apologetic breeze
No telling of a wretched soul
This is a momentary freeze
Upon a life living itself as whole

Pedras (I)

Praia da Calada

Esqueci-me do peso, escondido por dentro

Debaixo de almofadas leves

E encontros breves

Esqueci-me de voltar a ser

Pequena, a princípio

Invisível até me poder olhar de novo

Esqueci-me da marca de água

Da vida queimada

Das cinzas férteis

Esqueci-me do espelho que mora

Do lado de fora de mim

Ofuscado pelo salto sem chão

Esqueci-me da última etapa

A derradeira subida, a que me devolve a Ti

Sempre, e até o coração encontrar a sua casa

Desamarrar

kite running

Guardei, no sótão da memória,
A vida sedenta e desmanchada
Os dias estendidos sobre nada
Os marcos de uma marca na história

Desfiz o quarto do dia-a-dia da vida
Despojei-o das roupas que me envolveram
Vesti-me de vento e nuvens que nasceram
Deixei a estante conhecida

Parti, andei, com destino indistinto
Certa das amarras que há por soltar
Da vida contida e ainda por regar
Do grito perdido, do vento que sinto

Rodagens

De vez em quando, dou por mim a reviver mentalmente cenas da minha vida. Umas mais distantes, outras que ainda não sei o fim, todas aparecem sem pedir licença.

Pautas soltas de uma música irregular e em processo de constante (re)composição, estes momentos descontextualizados alojam-se no leitor da mente. Fazem-me voltar a sentir, na pele, aquilo que senti quando passei por eles.

Confesso que há memórias que me trazem algum desconforto. Há memórias que tocam em pontos nevrálgicos e fazem estalar a “casca” do jardim que se quer regar com cuidado. Como qualquer jardim, há flores mais vistosas, mais bem alimentadas; e outras rastejantes, com picos ou que até se alimentam de outras. Assim se apresentam estes pequenos filmes.

Há memórias que me deixam nostálgica, outras que me causam pena e pesar, saudades, revolta já quase pacificada. Há momentos que trazem vontade de perdoar e ser perdoada. Há dias que me lembram tristeza; outros desnorte; outros ainda, encontro e paz.

Mas, na rodagem deste filme, tenho aprendido que sonhar e descobrir o muito que ainda há para dar é francamente mais apaziguante, faz-me mais feliz e ensina-me, cada vez melhor, quem sou.

Encontros

Há poucos dias, depois de demasiada Teoria dos Jogos e Econometria, decidi aventurar-me pela Biologia e afins (algo de percebo pouco ou nada). Folheando o grande livro da internet, os meus olhos pararam (e não me deixaram teclar mais) sobre um artigo que falava da geometria da natureza.

Desde tempos antigos, muitas horas e inteligência humana foram dedicados a encontrar a persistente geometria inerente a todas as formas vivas, à natureza e ao planeta como um todo. Chamavam a esta ciência a “Geometria Sagrada”, e nela projectavam o ponto de partida e de chegada do entendimento do mundo.

Deu-me que pensar… Nós, como parte da natureza, também obedecemos a uma geometria. As vidas cruzam-se, renovam-se e desenrolam-se em páginas de desenho. Povoamos os nossos dias de caos, apenas para nos apercebermos, com o passar do tempo, das trajectórias geométricas e com pontos de viragem, de continuidade, de começo e recomeço tão definidos como os vértices de uma figura.

Tenho vivido, especialmente nas últimas semanas, uma série de encontros exteriores e interiores que sinto como o fim do desenho de figuras , para recomeçar outros traços, outros polígonos desenhados a carvão e cravados de alma às cores.

Desta geometria nasce o encontro connosco e com o mundo, e deste encontro voltamos à geometria angular e sempre criativa da vida que há em nós.

Livro dos dias VII

O Fundo do Mar - À procura de Nemo

Este fim de semana estive num jantar espanhol. Em casa de uma amiga, juntaram-se tantas pessoas como regiões de Espanha, e a paisagem humana ia desde Sevilha e Cádiz no Sul; Corunha a Leste; Madrid e Valladolid no Centro; Barcelona a Oeste. Bairrismos à parte, a noite fluiu com sincera naturalidade e o denominador comum era, de facto, uma “hispanidade” intrínseca, ainda que com contornos e sotaques particulares. Vi-me, de repente, imersa numa realidade de tapas e “algo para picar“, tortilla y empanada, vinho e mais vinho, conversas em volume alto. Quando entrei, conhecia apenas uma das habitantes da casa; ao sair, conhecia cerca de vinte espanhóis com quem conversei, pratiquei, o melhor que pude, o idioma à velocidade característica de nuestros hermanos, piquei algo, e até dancei. E não aconteceu por minha causa. Na verdade, a facilidade com que me receberam e o interesse genuíno que demonstraram por uma portuguesa, que aqui está a fazer um doutoramento, fizeram-me sentir à vontade num grupo novo, o que não é óbvio para mim.

Quando voltei para casa (a pé, como quase todos o fizeram), entre o ar frio da noite, não pude evitar sentir um aconchego especial. Percebi porquê.

Há qualquer coisa nos povos latinos, por muitas diferenças que tenham, que fala ao meu coração e me faz sentir em casa. Mais ainda, há algo de humano acima de todas as especificidades locais, algo comum a todos e que faz com que a proximidade de uma conversa quebre todas as barreiras de língua ou cultura, e ponha em cena apenas aquilo que nos une: o sentimentos de um ser humano. E por isso tanto maior o significado da maravilhosa diversidade que nos é dada como companhia. A humanidade é um mar azul de esperança a perder de vista, um clássico ondular que embala e acolhe. Mas este azul tem diferentes tonalidades. Quanto mais fundo nele viajo, mais diferenças aprendo e melhor posso conhecer as espécies de algas, corais e peixes que enriquecem o oceano e lhe conferem uma beleza irrepetível. No entanto, é num só mar, infinito, em que vivo.

Ao fim do dia, fui à missa com a minha amiga S. Tentei acompanhá-la e, pela primeira vez, de facto rezar em espanhol. E nunca para mim fez tanto sentido.