Northern Lights

Aurora borealis, Northern Norway
Aurora borealis, Northern Norway

Lights brightening the faces of unintended darkness
Life shining in the numb alleys and silent snow
Never has black and white coexisted in such stillness
Never have I felt a world of peace in a cold glow

There is one hour left for me in this train
Some time I willfully stole from life’s adventure queen
I want to grab hold of the feelings that drain
I want to laugh and cry and shout and scream

As if I could be the moving vehicle of others’ baggage
As if I could redeem the pain and transcend the sorrow
Yet I find I am but a soul in this long lineage
Searching for the next soul to borrow

Never had I imagined that in silence and freeze
A fire would still burn and grow in front of my eyes
A white carpet would welcome my breeze
A dark moon would strip my disguise

Advertisements

seasons change

folhas-de-outonoSol de Outuno,
Tímido mas impetuoso
Aparece calmo e dá vida
Ao castanho impregnado nos olhos

Restos de folhagem
São agora estradas
Abertas da alma

Não sei o que é, nem
Quem chama a chama que vem
Mas este Outono é
Mais bem-vindo que uma nuvem
Depois da secura prolongada

 

incandescent

an old radio can play a NEW song
an old radio can play a NEW song

I wake up to the feverish sound of the unsettled city.
The chatter and clatter
The moving and standing still
All echo in the depths of my one, whole, eager heart.

The winds of uninspired thoughts
Or unrequited “truths”
Swirl in an alley, behind the buildings
That have become the
Passage way of my life.

Every inch and step brings
New life to the promises ahead.
Real, crisp wind masks the
Warmth inside of an ever-expanding arcade
Of treasured drops.

Yet I discard the strain that words
Of yesterday print into the beatings of my feet.
I mend the fences that once
Blocked the touch of my hands
I turn to build safe lanes to keep company
In hopes of a newer light that
Shines through all!

to understand the movements of odd numbers

noite estrelada
who’s to say darkness isn’t beautiful?

He balanced through the motions with no care in the world.
And he got up, sat down, played the game all around.
Got back, seen hell, felt as if a stainless life was a dream long left in a far away land.

He wondered where stars would shine for him. And he travelled unknowingly,
distrusting, dismantled from the previous puzzle which concealed
a soul in arms.

The picture was not as colourful as he had painted in primary school. The mind wandered places he did not know could exist inside only one body;Yet his soul still yearned for the ever-promised clean sleeve with the beating of the new sun.

He took the path. Any path, really. Oddly, he realised his own darkness could shine more light than the frigid stars that never came.
Dreams are now placed in a real factory, with dark and worn-out hands. He works with them, filled with hope again,

because he believes dreams transcend
the places we live in
the people with what they
think
expect
or want from us
the laws of the world
the rules of society
the fear we face
the wrongs of this earth
the wrongs we have done

to find out

WHO WE REALLY ARE.

Livro dos dias XVIII

mão inesperada

A diferença chega pela mão inesperada.

A cidade é a mesma, as arestas e frestas continuam intactas e dispostas no mesmo pano sem fundo, com mil fundos dos padrões de ontem e de sempre. Mas os olhos são outros.

Os passeios iguais, alinham-se em formatura militar e sempre servil a quem por eles passa e deixa, na sua superfície, a impressão pendular mantida no interior. Mas as mãos sentem a novidade.

As estradas albergam o mesmo trânsito, os caminhos vão parar aos mesmos lugares, os lugares impelem-me para os mesmos trilhos. Mas o coração está revestido de outra luz.

A diferença vem, para ficar, porque não quero deixar partir o sentimento de respirar o ar da aurora rasgada entre as trevas.

Claro

Claro é o exterior que me assalta

Cheio de luz, luminoso de verdade

Claro é comboio certeiro

Que passeia pela ilha de ansiedade

Tirei o tapete que me arrasta os dias

Dobrei cansaços desarrumados sobre mim

Rasguei o interior do abismo

Que já não tolhe, porque chegou ao fim

Depois de desenganos, revoluções de busca

Ao longe soa a renovada procissão

Entre veredas de paz e crescimento

Claro é o caminho que se estende pela tua mão

Aurora Boreal

Aurora Boreal - Lapónia, Suécia

Tenho vindo a constatar este sentimento algumas vezes nos últimos tempos. É um sentimento difícil de explicar, porque está tão entranhado, que só muito esporadicamente vem à superfície mostrar um pequeno vértice da sua existência, devolvendo de imediato a pacífica monotonia a essa área visível.

É um sentimento, diria eu, que expressa a gradualidade com que a vida muda radicalmente. É um grito silencioso que anuncia uma viragem profunda, mas que é feita em pequenos e quase insignificantes cortes de ângulo na estrada.

É a alma que me diz: as coisas, quaisquer que sejam, só começam a fazer parte de mim quando o seu dia amanhece em mim, e eu amanheço nelas e com elas. As pessoas e os tempos só são meus, só os adopto verdadeiramente, quando o meu “dia”, a minha existência, se confunde com a deles; quando a minha vida e a deles se toca sem que eu já o controle. E há um dia, uma hora muito especial, em que me dou conta de que a vida exterior que atribuía a estas “coisas”, já é vida em mim, já amanhece comigo quando acordo.

Esse é o dia da Aurora Boreal. Aquele fenómeno da natureza, raro, que apenas alguns privilegiados podem ver, é também um acontecimento escondido na minha vida, que arrasta uma luz incalculável. Uma luz musical, de sons suaves e cores quentes, trazida duma poeira residual à qual eu não dava importância ou destaque.

Hoje parei só para apreciar e agradecer a beleza desta luz. Será que é este o Advento que me está reservado?