A song for the birds in the trees

there's a magic carpet behind your dreams
there’s a magic carpet behind your dreams

Come whisper as the rain lifts the mist
Come dance with the winds of chance
Fly from your cage as it pulls you closer
Free your own images, your swallowed wish

Come laugh at the sound of your thoughts
Come play with your sure moves of before
There is another future behind today’s now
Where the abyss of yesterday tolls you no more

Come travel the world with the sound of the city
Come throw it all away and start from square one
Come discover who you are under the dark and distant layers
Let your fears be pathways to find the light of the sun

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que dia é hoje?

ImageTrês dias passam na aventura de um horizonte desconhecido

Três dias apenas: não mais, porque a reboque deles
vem o tempo guardado em silêncio

Três retalhos de vida que demoram tanto quanto o futuro que virá

Três tatuagens no esqueleto desengonçado de quem reaprende
a andar

No primeiro dia, nasce a pedra. Achamos que é preciso sustento porque a vida
é demasiado grande para nos sentirmos confortáveis com a liberdade.
A pedra tem asas de borboleta, escondidas atrás da sombra incandescente de sol
Sabemos disso, mas desviamos o olhar… pelo menos neste primeiro dia em que o terramoto interior não concebe mais decisões

Ergue-se o segundo dia: a segunda amostra do tempo. E com ela, a maravilha constante daquilo que cresce em tão pouco espaço. A perplexidade eufórica causada pelas possibilidades oferecidas, baralhadas, entornadas, povoadas onde nunca pensámos haver terreno. E depois este segundo dia já não chega
Não nos enche, queremos mais, há tanto mais à nossa espera!

E o terceiro liberta as amarras e destrói as pedras. Escava mais fundo, sobe até ao cume, não espera nem faz esperar. Não se consome nem consome o outro.

Acalma, apenas, na certeza da liberdade que agora começa.

::Novos::horizonteS::

imprevisivel
imprevisível

Depois de tanto tempo achando que sabemos o que precisamos, quem somos, como interagimos com o mundo, algo muda. Sabíamo-nos tão arrumados e previsíveis, e alguém ou alguma coisa nos abre os olhos para qualquer coisa diferente. Algo que entra por uma janela descuidada ou esquecida. Algo que, lentamente, faz caminho em direcção a nós, descobrindo uma abertura onde já só pensámos haver muros e defesas. Uma abertura que não tínhamos considerado, não tínhamos vivido. E por isso, não tínhamos adornado e revestido dos nosso preconceitos e expectativas, imagens estáticas do que julgávamos ser a felicidade.

Por outro lado, também nunca havíamos explorado caminhos dentro dessa janela. Não fazemos ideia onde nos podem levar, nem podemos estar certos de como nos farão sentir: se vamos gostar, se não vão surpreender, se têm algo para nos dar ou se temos algo a dar neles.

É precisamente a incógnita, a terra por desbravar, que conferem uma carga de Liberdade e Ingenuidade a este novo caminho. A imprevisibilidade pode trazer uma calma nunca antes pensada.

Terra e Água//Fogo e Ar

Willow tree – Pocahontas

O corpo é forte, e liga-se à terra. Uma força gravítica puxa-nos para um centro que não conhecemos, que está distante.

Que o tronco esteja fixo, forte. O centro é preciso, o centro devolve a calma e a serenidade aos dias confusos. O centro toma decisões, posições, guia e atira para a frente. O tronco é a terra que nos constrói.

Que o tronco se acenda com a força interior. A disposição de alma, a vontade de viver, o fogo do Espírito que nos enche de ser. O tronco é fogo que contagia o espaço entre o projecto que somos e a vida que queremos.

Que os membros estejam livres, mas sustentados. Que haja espaço para o vento que o ar traz, que haja movimento fluído, que haja música clara e em construção. Numa liberdade propositada e não caprichosa, que o ar invada os poros, as peças encaixadas, e devolva o infinito à expressão dos braços. Num mergulho fundo mas cuidadoso, que a água envolva os furos por encher, que a encosta das pernas se desloque ao som da harmonia pregada.

Somos os quatro elementos. Escutemos o convite que cada um nos faz.

fios

Hunchback of Notre-Dame, puppet show

Tempo passado, a nossa passagem pelo mundo começa a afeiçoar-se. A pessoas, a coisas, a espaços: desde que nascemos, estes moldam-nos e nós a eles. E é bom, na medida em que nos torna humanos e nos sustenta o sentimento de pertença, de laço, de ligação fraterna à vida.

Mas no reverso da medalha, há alturas em que o afecto se torna dependência, os laços transformam-se em fios.

Fios que nos atam a recantos passados. Fios que prendem o interior e amarram feridas antigas a arcas de memória por arrumar. Fios que cobardemente entregam as nossas decisões a medos, movimentos a ideias pré-concebidas, mudanças a inércia.

É muito boa a sensação de cortar os fios que me atrasam, que me impedem de ser verdadeira. Cortar lentamente e livremente as prisões do espírito e da mente. A princípio, deixam-me desequilibrada: porque achava eu que estas prisões eram aquilo que me sustentava.

Depois, com paciência, reaprendo a andar, sem os fios de um teatro – com liberdade para ser eu.

Coluna vertebral

“eu quero ser um vaso novo”

Tenho constatado o bom que é ir abandonando as peles mortas e secas do passado, para dar lugar à nova pele que nos envolve. Mais fina, mais transparente, e (esperamos) a cada passo mais próxima de nos devolver ao que somos.

Como as cebolas (ou o Shrek*) que têm camadas contundentes e que é preciso descascar, ou como um bom livro, em que o fim justifica a jornada de leitura, somos também mais verdadeiros por dentro e tanto quanto o viremos do avesso. Para que apanhe sol e nunca volte a querer estar escondido.

Para caminhar no sentido interior, às vezes é preciso escavar cenas antigas, e fechadas sem aplauso do público. Sentimos necessidade de buscar partes de nós que já não gravitam aos pés do dia-a-dia.

Procuramos, porque queremos ter a certeza que essas partes já não existem, já não vivem em nós. Voltamos a trazê-las à superfície, tentamos reviver os sentimentos – agora, com outra frieza e calma. Reparamos em toques não antes notados, apenas para poder voltar a arrumar, um pouco mais “despidas” do que antes.

Até que chega o momento em que o derradeiro arrumo, é a pele velha que cai no chão e se mistura com o ciclo natural da vida.

Sem que demos por isso, o velho de nós deu lugar a barro por esculpir!

*”Layers. Onions have layers. Ogres have layers. Onions have layers. You get it? We both have layers.”, Shrek (2001)

Arrumações

No dia 28 do mês passado fez seis meses que vim viver para Barcelona. Bati o meu record de tempo a viver fora de Portugal, já que a última vez que isso aconteceu foi em Erasmus, entre Janeiro e Junho de 2007.

Adoro sentir que esta casa já é minha, que a cidade é cada vez mais um palco conhecido e que os bastidores se vão mostrando no dia-a-dia. É bom sentir que as ruas começam a ser familiares, que já há sítios “meus” e momentos que relembram a lã confortável e apaziguante da rotina (esta, inventada do zero).

Há sempre um momento (ou vários) no decorrer da estrada em que se impõe fazer arrumações. Renovar o armário, vasculhar por entre a quantidade de coisas que acumulamos, dentro e fora de nós, e perceber que o que foi armazenado às vezes diz muito mais do que imaginamos. Quando acumulamos, dentro e fora, criamos uma despensa de sentimentos, momentos, restolho de dias que já foram. Quando acumulamos, tentamos agarrar a raspa de brilho daquele dia especial, ou daquela fase transformadora. Quando acumulamos, é possível que nos sintamos com falta de espaço para mais.

É aqui que “arrumar” pode ser tão libertador. Abre novas tocas no nosso terreno, monta estruturas que aguentam mais peso, torna leves e móveis as cercas que impomos no território da memória.

Às vezes é bom descontrair e desarrumar… mas a sensação de criar espaço dentro do espaço, é uma promessa de mais Vida.