Corpo Humano (I)

Uomo vitruviano, Leonardo da Vinci

Em época de exames, forçosamente mais introspectiva que outras, tomo consciência, com maior sensibilidade, da beleza do corpo humano.

Desde que acordo até que me deito, noto diariamente a presença de vida em mim, a vontade de nascer e crescer, os pensamentos que se seguem e as histórias que me fazem ter história.

Como mediador entre nós e o mundo, o corpo é simultaneamente um receptor, um emissor e um “armazém”. E a cada momento, ensina-nos o que precisamos de forma discreta mas concreta. Pede-nos tempo para nos arranjarmos de manhã e assim preparar a cara e o coração para o dia que nasce. Pede-nos tempo para que nos alimentemos, cuidemos de manter a energia, de maneira a que o que nos é dado seja integrado, e o que tenhamos para dar seja oferecido a tempo. Pede-nos tempo para dar a quem se cruza connosco, quando se cruzam; pede-nos tempo para nós quando a cabeça não para e o sentido é incerto. Pede-nos tempo para descarregar tensões, tempo para descansar de ilusões, para descansar do dia. Cansa-se quando nos cansamos, revitaliza-se quando nos alegramos, pede colo quando estamos tristes.

O corpo é o nosso reflexo, da eternidade para este tempo, do oceano que somos para o momento em que vivemos. O corpo é um porto de abrigo e ponto de partida.

Ao escutar o que me pede, ajudo-me a chegar ao que sou, e a Quem mora em mim.

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