Livro dos dias XI

Château de Chillon - Montreux - Suíça

Hoje foi o primeiro dia de sol em Barcelona, depois de 15 dias a chover ininterruptamente.

Não pude evitar pensar, ainda que de maneira um pouco egocêntrica, que a cidade me deu as boas-vindas de volta, que estas ruas também têm um espaço para me acolher, como eu a elas. Ontem, ao chegar à noite a minha casa, depois de um verdadeiro descanso em família na bonita zona de Lausanne (Suíça), trouxe-me imensa alegria perceber que em certa medida já me faz falta a minha casa e o reboliço de Barcelona.

Nos dias de visita de família ao P. e à sua vida em Erasmus, senti-me numa bolha de tranquilidade no meio da azáfama infindável que tem sido este semestre. Fui invadida por um espaço com uma respiração profunda, uma calma que só a natureza traz; um ritmo de vida eficaz, com todas as tecnologias e conforto, mas com uma paz intrínseca que parece não abalar por nada. Que vontade tive de ficar mais tempo!

Nisto, fiquei a pensar no quanto o que nos rodeia pode influir no estado de espírito interior. Ou, ainda, no quanto o nosso mundo interior pode afectar a experiência que temos dos espaços em que nos encontramos.

Na verdade, estes dias foram um bálsamo de encanto natural. Ao ver as vidas que correm ao ritmo da harmonia, penso na minha e no quanto me falta percorrer para lá chegar. Como um rio que ainda corre sem destino e com a força que o impulso da nascente lhe dá, a minha vida ainda se encontra à procura de margens seguras. Por isso, as janelas e portas que se abrem por ver outros mundos são pequenos espelhos de quem sou e quero descobrir.

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