Northern Lights

Aurora borealis, Northern Norway
Aurora borealis, Northern Norway

Lights brightening the faces of unintended darkness
Life shining in the numb alleys and silent snow
Never has black and white coexisted in such stillness
Never have I felt a world of peace in a cold glow

There is one hour left for me in this train
Some time I willfully stole from life’s adventure queen
I want to grab hold of the feelings that drain
I want to laugh and cry and shout and scream

As if I could be the moving vehicle of others’ baggage
As if I could redeem the pain and transcend the sorrow
Yet I find I am but a soul in this long lineage
Searching for the next soul to borrow

Never had I imagined that in silence and freeze
A fire would still burn and grow in front of my eyes
A white carpet would welcome my breeze
A dark moon would strip my disguise

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“Batem levemente”

someone's at the door
someone’s at the door

Bati à porta,
do lado contrário de cada decisão

Bati à porta,
no átrio solitário que reveste o coração

Bati levemente
com o interesse disperso
e a dúvida persistente

Bati, sem rumo sentido
Sem um único pedaço vivido
Na paz de uma categoria arrumada

Bati, e não ouvi nada
(eram os ouvidos duros, ou a língua cerrada?)
Apenas o tremor de um comboio incessante,
Um astro rumo às estrelas brilhantes
Um ‘Apolo’ que não esperara por mim

Esperei e vi
O lugar da minha identidade
Escondido do lado de cá

Este é o lado de dentro
E bato, mas agora ouço
O bater do lado de fora
Um passo firme que ainda demora
Mas devolve o caminho ao átrio em mim

Porque é Dezembro, e a neve bate levemente.

Regresso a casa

Chegaste, depois de um longo Inverno

Frio, seco e vestido de solidão

Chegaste só, simples e eterno

Entre o silêncio de desertos no meu coração

 

Chegaste, e não te vi

Meu casulo feito e refeito de linhas presas

Chegaste, e ficar preferi

Com medo de descobrir mais do que duras certezas

 

Chegaste, lento e forte

Na paciência da primeira flor

Chegaste seguro, instigando o Norte

Chegaste para ficar, e sempre estiveste

Para que eu seja melhor

Aurora Boreal

Aurora Boreal - Lapónia, Suécia

Tenho vindo a constatar este sentimento algumas vezes nos últimos tempos. É um sentimento difícil de explicar, porque está tão entranhado, que só muito esporadicamente vem à superfície mostrar um pequeno vértice da sua existência, devolvendo de imediato a pacífica monotonia a essa área visível.

É um sentimento, diria eu, que expressa a gradualidade com que a vida muda radicalmente. É um grito silencioso que anuncia uma viragem profunda, mas que é feita em pequenos e quase insignificantes cortes de ângulo na estrada.

É a alma que me diz: as coisas, quaisquer que sejam, só começam a fazer parte de mim quando o seu dia amanhece em mim, e eu amanheço nelas e com elas. As pessoas e os tempos só são meus, só os adopto verdadeiramente, quando o meu “dia”, a minha existência, se confunde com a deles; quando a minha vida e a deles se toca sem que eu já o controle. E há um dia, uma hora muito especial, em que me dou conta de que a vida exterior que atribuía a estas “coisas”, já é vida em mim, já amanhece comigo quando acordo.

Esse é o dia da Aurora Boreal. Aquele fenómeno da natureza, raro, que apenas alguns privilegiados podem ver, é também um acontecimento escondido na minha vida, que arrasta uma luz incalculável. Uma luz musical, de sons suaves e cores quentes, trazida duma poeira residual à qual eu não dava importância ou destaque.

Hoje parei só para apreciar e agradecer a beleza desta luz. Será que é este o Advento que me está reservado?

Livro dos dias XII

Hoje começa o Advento, um tempo muito especial. Sempre me encantou esta fase do ano. Fui crescendo, e as razões que me fazem abraçar com especial vontade estes dias foram crescendo comigo.

Em pequena, esperava ansiosamente pela promessa da manhã de Natal, que invariavelmente trazia o cheiro a lareira, o pequeno-almoço em família, a abertura dos presentes tirados direitinhos da lista. Lembro-me de ter imenso prazer em todos os rituais que envolviam aqueles dias até ao Natal, às vezes maior do que o de receber os presentes. Adorava montar e decorar a árvore, vestir a casa de festa permanente em tons de encarnado e verde (ou outras cores, porque íamos variando). Ouvir músicas natalícias, pensar nos pratos que se comiam e no filme que ia ver com os primos depois de toda a algazarra da consoada.

Mais tarde, passei a encarar o Advento como um altura privilegiada para saborear a vida em família com outro gosto, parar e repensar o ano, encher-me de propósitos e resoluções (às vezes utópicas, porque é bom sonhar). Passo a passo, comecei a dar-me conta do que é de facto o Natal: o nascimento de Jesus. Um acontecimento, para mim, eternamente comovente.

Hoje, vejo o Natal como a mais verdadeira história de crianças. O Advento convida a aumentarmos a vida, “reduzindo-a” ao essencial, como faz uma criança.

O Advento é um tempo de espera. E tantos Adventos há em cada vida! Num Advento, numa espera mais ou menos prolongada, podemos ficar paralisados, ou libertar a nossa liberdade. Posso ficar escrava do futuro, ou pacificamente ir reparando no que o presente me traz. Há uma diferença entre espera e esperança: para mim, essa diferença é Jesus. Consola-me saber, que no fim de cada Advento que vivo, pode nascer Jesus, pode amanhecer o Bem dentro do meu coração de novo. Outra e outra vez, Ele chega para entrar em minha casa, invariável, inabalável, até que eu O convide para entrar.

Que vejamos nos nossos “Adventos” diários a promessa de um “Natal” duradouro.